Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Como a IA está redefinindo a operação comercial no Brasil

Cinco movimentos do varejo global que mostram como a IA está redefinindo a operação comercial no Brasil

Após as discussões da NRF Retail’s Big Show, principal evento global do varejo, executiva aponta mudanças que deixaram de ser tendência para se tornar decisões práticas de negócio — com impacto direto em vendas, eficiência operacional e relacionamento com clientes

A inteligência artificial deixou de ser apenas ferramenta de apoio no varejo.

O debate global mudou.

Se até pouco tempo a conversa girava em torno de chatbots, automação pontual e experimentação, agora a discussão passa por decisões operacionais, personalização em escala e eficiência comercial com impacto real no resultado.

O recado ficou claro nas discussões da NRF Retail’s Big Show, maior evento mundial do varejo, realizado anualmente em Nova York: a inteligência artificial deixou de ser inovação de vitrine e passou a ocupar espaço estratégico na operação.

E os números mostram que essa transformação já está em curso.

Levantamento da NVIDIA aponta que 91% dos varejistas globais já utilizam ou avaliam inteligência artificial, enquanto 90% planejam ampliar investimentos na área. Além disso, 89% relatam aumento de receita e 95% apontam redução de custos operacionais com iniciativas ligadas à tecnologia.

Do lado do consumidor, a mudança também acelera.

Dados da Salesforce mostram que 39% dos consumidores já utilizam inteligência artificial para descobrir produtos, percentual que ultrapassa 50% entre a Geração Z.

Para Juliana Velozo, executiva com atuação internacional em estratégia, inteligência artificial e transformação de negócios, a principal mudança está no amadurecimento do uso da tecnologia.

“O varejo global deixou de discutir se deve usar IA. A conversa agora é sobre onde ela realmente gera margem, eficiência e vantagem competitiva.”

Segundo Juliana, cinco movimentos já começam a redefinir a operação comercial — e muitos deles são totalmente aplicáveis ao Brasil.

CRM deixou de guardar histórico. Agora antecipa comportamento

Durante anos, CRM foi visto como ferramenta de registro.

Agora, passa a operar como inteligência comercial.

No varejo global, a IA já começa a prever comportamento de compra, sugerir ofertas mais relevantes, reduzir churn e personalizar jornadas em tempo real.

“Relacionamento deixou de ser memória. Virou inteligência comercial.”

Na prática, isso significa menos campanhas genéricas e mais capacidade de entender contexto, intenção de compra e comportamento do consumidor.

Automação comercial deixou de ser eficiência. Virou velocidade competitiva

Preço, promoções, recomendações e reposição de estoque já podem ser ajustados automaticamente.

A diferença competitiva começa a estar menos na capacidade operacional e mais na velocidade da decisão.

Enquanto sistemas conseguem reagir em tempo real, muitas empresas ainda operam com fluxos lentos de aprovação.

“Se a tecnologia reage em tempo real e a empresa continua presa a ciclos lentos de validação, o problema já não é tecnológico — é operacional.”

Esse atraso pode parecer invisível no dia a dia, mas aparece diretamente nos resultados.

Omnichannel finalmente saiu do discurso

O consumidor já não diferencia mais loja física, aplicativo, site ou atendimento digital.

Ele espera continuidade.

A experiência precisa ser integrada, coerente e sem fricção.

Segundo a Salesforce, 88% dos varejistas consideram o comércio unificado essencial para seus objetivos estratégicos.

Para Juliana, ainda existe confusão entre presença multicanal e experiência integrada.

“Omnichannel não é estar em vários canais. É parecer, uma única empresa, em todos eles.”

Estoque virou decisão estratégica

Supply chain deixou de ser apenas operação de bastidor.

Com inteligência artificial, o varejo global já trabalha com previsão de demanda mais precisa, redistribuição inteligente de inventário, redução de ruptura e menor capital parado.

O estoque passa a impactar não apenas logística, mas margem, competitividade e experiência do cliente.

“Estoque não é mais apenas logística. É margem, experiência e competitividade.”

IA deixou de ser projeto de tecnologia

Talvez essa seja a principal virada.

Enquanto muitas empresas ainda tratam inteligência artificial como iniciativa da área técnica, o varejo global começa a incorporá-la como infraestrutura de negócio.

Não se trata apenas de ferramenta.

Trata-se de tomada de decisão.

“O erro clássico é tratar inteligência artificial como investimento técnico. No varejo mais maduro, ela já influencia decisões centrais de negócio.”

O desafio brasileiro

Mais do que acompanhar tendências globais, o desafio do varejo brasileiro passa a ser a capacidade de execução.

A tecnologia já existe.

A questão agora é quem conseguirá transformar esse movimento em eficiência real, melhor experiência e vantagem competitiva.

“A pergunta já não é mais se a IA fará parte da operação. A pergunta é qual empresa conseguirá transformar isso em resultado antes das outras.”

Juliana Velozo é executiva com atuação internacional, Senior Vice President of Latin America Market for Retail & Healthcare da Thoughtworks, palestrante e especialista em estratégia, inteligência artificial e transformação de negócios.

Atua conectando tecnologia, tomada de decisão e performance empresarial em operações de grande escala.

Fonte: Kelly Bessa – K.Bessa Assessoria

Deixe seu comentário: